segunda-feira, 24 de março de 2025

A Controvérsia das Traduções de Zacarias 12:10 e Suas Implicações Teológicas

 

A Controvérsia das Traduções de Zacarias 12:10 e Suas Implicações Teológicas

Por: Ezrah Ben Or / Flávio S.Telles

Introdução


 A tradução das Escrituras Hebraicas tem sido um campo de intenso debate teológico e acadêmico ao longo dos séculos. Um dos textos mais polêmicos nesse contexto é Zacarias 12:10, que, dependendo da versão bíblica consultada, pode apresentar variações significativas que alteram o seu significado.

    A diferença entre tradução e interpretação é crucial neste debate, pois muitas versões da Bíblia são influenciadas por inclinações teológicas que podem modificar a maneira como o texto é lido e compreendido. Neste artigo, faremos uma análise detalhada das diferentes traduções desse verso e demonstraremos como algumas versões, especialmente as de origem judaica ortodoxa, podem ter sido alteradas para evitar uma leitura messiânica do texto.

O Texto Hebraico de Zacarias 12:10

O texto original em hebraico de Zacarias 12:10 diz:

וְשָׁפַכְתִּי עַל־בֵּית דָּוִיד וְעַל־יוֹשֵׁב יְרוּשָׁלַם רוּחַ חֵן וְתַחֲנוּנִים וְהִבִּיטוּ אֵלַי אֵת אֲשֶׁר דָּקָרוּ וְסָפְדוּ עָלָיו כְּמִסְפֵּד עַל הַיָּחִיד וְהָמֵר עָלָיו כְּהָמֵר עַל הַבְּכוֹר

A tradução mais literal desse verso seria:

"E derramarei sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém o espírito de graça e de súplica; e olharão para Mim, a quem traspassaram, e o lamentarão como se fosse um lamento por um filho único, e chorarão amargamente por ele, como se chora pelo primogênito."

A questão central gira em torno da frase "e olharão para Mim, a quem traspassaram", que possui um significado direto e forte. No entanto, algumas traduções alteram essa construção.

Análise Comparativa das Traduções

Tradução Almeida (Fiel ao Texto Hebraico)

"E olharão para Mim, a quem traspassaram"

Esta tradução mantém a estrutura gramatical do hebraico e não introduz elementos interpretativos externos. Ela reflete com precisão o original, onde D'us é o sujeito e o traspassado é o complemento direto.

Tradução da Editora Sefer

"E olharão para Mim por causa daqueles que foram traspassados"

Problemas com essa tradução:

  1. O texto hebraico não contém uma preposição equivalente a "por causa de".

  2. A construção gramatical hebraica "אֵת אֲשֶׁר" (et asher) significa "a quem", e não "por causa daqueles que".

  3. Essa mudança sutil altera completamente o significado, sugerindo que os habitantes de Jerusalém olhariam para D'us por causa de terceiros traspassados, em vez de olhar para D'us como aquele que foi traspassado.

Tradução da Bíblia de Jerusalém

"E eles olharão para mim. Quanto àquele que eles transpassaram, eles o lamentarão..."

Problemas com essa tradução:

  1. Há uma separação artificial da sentença. O texto original não contém ponto final entre "olharão para Mim" e "aquele que traspassaram".

  2. Essa reformulação altera a relação entre D'us e o traspassado, removendo a possível interpretação messiânica.

Diferença entre Tradução e Interpretação

Tradução é a fiel transmissão do significado original de um texto de um idioma para outro, preservando sua estrutura e sentido. Interpretação, por outro lado, ocorre quando o tradutor adiciona ou modifica elementos com base em pressupostos teológicos ou ideológicos.

O que observamos nas versões da Editora Sefer e da Bíblia de Jerusalém é uma tentativa de interpretar o texto em vez de traduzi-lo literalmente. Isso é especialmente evidente na escolha de palavras e na estrutura sintática modificada.

A Influência Teológica na Alteração do Texto

Dentro do contexto do judaísmo ortodoxo, há um receio histórico de que certos textos bíblicos sejam usados para fundamentar argumentos messiânicos. Por isso, algumas traduções procuram minimizar interpretações que possam ser associadas a Yeshua.

Em relação a Zacarias 12:10, a tradução mais literal aponta diretamente para um ser divino que foi traspassado, o que pode sugerir uma tipologia messiânica. Para evitar essa leitura, os tradutores adotam estratégias como:

GRAVISSÍMO

  1. Reformular a construção gramatical para sugerir que o povo lamenta por outra pessoa, e não por D'us.

  2. Inserir preposições e pausas inexistentes no hebraico original.

  3. Modificar o sujeito e o objeto para mudar o foco do versículo.

Conclusão

A análise gramatical de Zacarias 12:10 demonstra que a tradução Almeida é a mais fiel ao texto hebraico original, enquanto versões como as da Editora Sefer e da Bíblia de Jerusalém introduzem elementos interpretativos que alteram o significado do versículo. Essa modificação, motivada por preocupações teológicas, busca evitar uma possível leitura messiânica do texto.

A questão central nesse debate não é apenas a escolha de palavras, mas a integridade da tradução bíblica. Os leitores devem estar atentos a como diferenças sutis nas traduções podem influenciar a teologia e a interpretação das Escrituras. Para um estudo aprofundado das Escrituras, recomenda-se sempre o retorno ao texto original hebraico, comparando diferentes versões e analisando criticamente as escolhas de tradução.

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2 comentários:

  1. Aleluia! Seu Canal e suas manifestações são um alento!
    Alivia a desolação, quando se ouve a rabinada que se acham muitíssimos sábios e elevados, e não entendem nem mesmo o Bezerro de Ouro.
    Que o Eterno nos guarde da presunção, mas até o Shemá Israel foi alterado seu primeiro sentido, na frente de todos, e todos baixaram a cabeça. Não é mais: Ouve ó Israel o Senhor teu Deus..., mas: Ouve ó Israel as historinhas da Torá Oral.
    Que na verdade é um compêndio de conhecimentos úteis para o desenvolvimento social, e ante messiânico.
    Outra coisa escandalosa é o Calendário Judaico. A interpretação de Yosef Ben Halafta, de Ex6:16-17, que resultou na determinação de 210 anos, para o período de Israel no Egito, negando Ex12:40-41, é fantasiosa, herética e até blasfema contra os Patriarcas. Blasfema contra Sem, que conheceu sua décima segunda Geração, até os filhos de Jacó. Blasfema a velhice Feliz de Abraão. Gn15:15; Blasfema a infância feliz da descendência de Abraão, que gozaram em vida das bençãos dos Patriarcas desde Sem, que viveu até 2158.
    Jacó nasceu em 2108.
    A questão do Calendário Judaico é gravíssima, com a gigantesca brecha de 220 anos. No tempo do Fim, é trágico.
    Tudo que envolveu a invenção do Calendário, a frustração com Bar Kobbach, a reclusão de Yosef Ben Halafta, aponta que seu principal objetivo era mudar os tempos, confundir o Tempo da Vinda do Ungido, profetizado por Daniel. Dn9:25. Que se encaixava perfeitamente com o Batismo de Jesus no Jordão, quando desceu sobre ele a Pomba.
    O Calendário pode ser analisado numa manhã, com os recursos da IA.
    Requer urgência para minimizar o número de surpreendidos!

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    Respostas
    1. Seu comentario é excelente! De fato, há alterações significativas no calendário que precisam ser revistas.

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